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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Que Futuro para o Kurdistão

                                                        
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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Lula, próximo Secretário-Geral da ONU?

«Eu ouvi várias vezes estas conjecturas. Lula da Silva é um dos líderes mais importantes do mundo, mas eu não posso fazer comentários sobre isso», disse o Ban Ki-Moon, ao ser questionado sobre se o Presidente brasileiro seria um bom secretário-geral da ONU.

in Agência Lusa

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Quando o povo escolhe.

No nosso tempo, é ao povo que compete a última palavra, até nos regimes ditatoriais. Ceaucescu, Milosevic e tantos ditadores da Europa Ocidental, da América Latina e da Ásia aprenderam-no à custa! A violência que surgiu a partir da base teve origem na sua tirania.Nas democracias, a lei impõe-se e os mandatos têm uma duração limitada. Não há forma de fugir ao julgamento do povo e de tergiversar para escolher o momento mais apropriado. O político sabe que será julgado pelos seus concidadãos e sabe quando isso terá lugar. O único grau de liberdade que lhe resta é o de decidir se vai ou não apresentar-se ou reapresentar-se a sufrágio.


Foi um erro que cometeram Churchill e Kohl, ambos grandes personalidade, um porque resistiu sozinho a Hitler e preparou a sua derrota, o outro porque reunificou a Alemanha sem luta, quase de forma inesperada. Como poderiam eles imaginar a ingratidão dos ingleses e alemães? Justamente por isto: faltou-lhes imaginação.

[…]



Apesar de recusados pelos seus concidadãos, ambos mantiveram o seu prestígio e legaram uma grande imagem. Não foi esse o caso de Gorbatchev, arrastado pela tormenta que ele próprio desencadeou, vítima das instituições democráticas que ele próprio criara demasiado depressa imaginando que o comunismo poderia ser reformado; viu-se obrigado a submeter-se a apresentar-se a sufrágio na pior altura, após a derrocada da união Soviética, que entretanto perdia um terço do seu território e metade da sua população, após o colapso do Estado, quando a sociedade jazia debaixo dos escombros. Também ele já não pode escolher a sua hora e corrigir a situação de que era responsável. A democracia quase não permite decidir qual o momento, a não ser que os prazos se precipitem. O politico tem de se adaptar e, por isso mesmo, não pode que, ao contrariamente ao que imaginam os bajuladores, não é senhor do tempo; terá de afrontar o julgamento do povo, talvez até em condições muito desfavoráveis, numa lotaria arriscada.

Balladur, Eduard, Maquiavel em Democracia, p.165

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Gerald Cohen: Em busca de uma alternativa socialista

“O Socialismo”, disse Albert Einstein, é a tentativa da humanidade “superar e sobrepujar a fase predatória da evolução humana”; e, para Gerald. A. Cohen, “todo mercado (...) é um sistema predatório”. Tal é a essência de seu último livro, breve porém incisivo e elegantemente escrito (Cohen morreu em agosto passado). Seu propósito é assentar o que chama de as bases “preliminares” - uma tentativa que, afinal, bem poderia chegar a ser derrotada por realidades inexoráveis – de uma alternativa socialista. É desejável, pergunta-se, e se desejável, factível, construir uma sociedade movida por algo que não seja a predação, que não responda às motivações “mesquinhas”, “baixas”, “repugnantes” do mercado, mas que esteja antes dirigida por um compromisso moral com a comunidade e com a igualdade?

Em seu estilo caracteristicamente lúcido, comprometido e delicadamente humorístico, Cohen começa imaginando um grupo de pessoas numa excursão para um camping. Nessas circunstâncias, sugere que a maioria das pessoas seriam “vigorosamente a favor de uma forma socialista de vida, preferindo-a outras alternativas factíveis”, comportando-se assim, pois, conforme aos princípios de igualdade e de comunidade, muito distintos dos que governam o comportamento normal no mercado. A questão é se esses princípios do acampamento poderiam ou deveriam ser postos em prática por obra do conjunto da sociedade. Na sua opinião, isso seria desejável para evitar os resultados necessariamente injustos dos mecanismos de mercado e as desigualdades que os acompanha. Mas é factivel?

[...]
 
 
Cohen foca na idéia do “socialismo de mercado”, um sistema que estaria ainda fundado no mecanismo de preços, mas que evitaria a concentração de capital que gera o grosso das desigualdades do mercado capitalista. Isso, para ele, seria melhor que nada. É “o gênio do mercado que recruta motivações de baixa qualidade para fins desejáveis”; mas, o que os socialistas de mercado esquecem é que também há efeitos indesejáveis e que também esse seu tipo de mercado se orienta conforme esses motivos “mesquinhos”. Assim, pois, ele preferiria seguir buscando um meio de obter efeitos econômicos produtivos fundado em outras motivações.
 
Ver na íntegra

domingo, 18 de abril de 2010

Ciudad Juarez: A cidade do sangue.

Pelo segundo ano consecutivo, a cidade mexicana, palco de guerras entre cartéis de droga, ocupou, em 2009, o primeiro lugar da violência, com 2658 assassínios, revelaram, em conferência de imprensa, duas organizações cívicas mexicanas, Conselho de Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal e Movimento Branco.

 @ RTP

quarta-feira, 7 de abril de 2010

quinta-feira, 11 de março de 2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

Slavoj Zizek e a Globalização

(Clique nas imagens para visualizar melhor)

in" Courrier Internacional, Março de 2010

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O lucro contra a saúde.

O regime de François Duvalier («Papa Doc»), a quem sucedeu, em Abril de 1971, o filho Jean-Claude («Baby Doc»), foi qualificado, com toda a justeza, como uma «cleptocracia». A definição incluía a gestão que esse regime fazia da ajuda estrangeira, boa parte da qual proveniente dos Estados Unidos [1]. Após 29 anos de duvalierismo, em Fevereiro de 1986 o Haiti ficou sob a alçada duma administração militar, à qual logo se seguiu a ditadura. Durante todo esse tempo, a ajuda estrangeira nunca deixou de afluir, embora apenas uma ínfima parte parecesse chegar àqueles a quem era destinada.




Em 1990, uma série de eleições democráticas e a chegada ao poder de um padre católico, o sacerdote Jean-Bertrand Aristide, dirigente do movimento Fanmi Lavalas (Família Avalanche), incutiram uma nova esperança nas pessoas que lutavam para melhorar as condições sanitárias do país. Mas, abruptamente, o golpe de Estado militar de 1991 pôs fim a essas esperanças. No centro do país, onde nós dirigimos um hospital comunitário, as condições económicas e sociais degradaram-se rapidamente. Nesse mesmo período, de modo paradoxal, o número de doentes acolhidos na nossa clínica diminuiu. Convém dizer que esta era alvo duma operação de repressão e de ameaças [2].



As consequências imediatas do golpe de Estado foram muito severas, com milhares de mortos e centenas de milhares de pessoas deslocadas. Na saúde pública, os três anos seguintes revelaram-se catastróficos: ressurgimento de epidemias de sarampo e outras doenças para as quais existem vacinas; bruscos aumentos epidémicos de dengue. A mortalidade infantil e juvenil, mas também a mortalidade no parto, são no Haiti as piores do hemisfério Norte. O VIH/sida e a tuberculose tornaram-se as primeiras causas infecciosas de mortalidade entre os jovens adultos; este fardo foi ainda maior devido às violações cometidas pelos militares e os «adidos». Por outro lado, muitas destas doenças estão ligadas à subnutrição. Depois, durante estes anos perdidos, a rede nacional de clínicas e hospitais públicos ficou ao abandono, tendo a maior parte dos profissionais de saúde saído nessa altura do Haiti.

(...)
 
Com cem camas e doze médicos haitianos, o hospital de Zanmi Lasanté é no Haiti um dos maiores hospitais charity (privado com fins não lucrativos). Por não termos qualquer ajuda significativa do governo haitiano, do BID ou do USAID (organismo de assistência internacional dos Estados Unidos), estamos, por assim dizer, reduzidos ao papel de observadores neutros dos acontecimentos. Somos porém vítimas directas do desmoronamento do sistema de saúde pública. Os encerramentos de clínicas e hospitais multiplicam-se nesta região, bem como a recusa de receberem doentes sem meios para pagar as despesas. Estes últimos, por isso, voltam-se para o nosso hospital. O município de Thomonde, por exemplo, e os seus 40 mil habitantes, na região Centro, não puderam contar, durante todo o ano de 2000, com qualquer médico ou enfermeira.




Depois das contestadas eleições legislativas de 21 de Maio de 2000, os Estados Unidos, a União Europeia e os organismos financeiros internacionais congelaram a ajuda prevista para o Haiti [4]. Este verdadeiro embargo atinge a população mais vulnerável de todo o continente, o povo mais pobre, aquele que tem a mais frágil economia, ambiente e tecido social. Segundo os próprios financiadores, as consequências deste embargo são devastadoras: «Globalmente, o principal motivo da estagnação económica é a supressão das subvenções e empréstimos do estrangeiro, paralela à resposta que a comunidade internacional deu ao impasse da situação política», assinala um relatório do BID. «Estes fundos estão avaliados em mais de 500 milhões de dólares.» [5]
Artigo de Paul Farmer

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